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Conheça o Aedes do Bem e descubra mitos e verdades sobre o pernilongo

  • 9 de nov. de 2017
  • 5 min de leitura

A baixa umidade do ar e a estiagem dos últimos meses, segundo a Vigilância Sanitária de Juiz de Fora, são uns dos motivos principais para a grande onda de pernilongos que incomodou muitas pessoas nesse mês de outubro.

Além do zumbido incomodar as noites de sono, os pernilongos assustaram boa parte da população sobre a possibilidade de, junto nessa pequena infestação, estar o Aedes aegypti, o que poderia causar diversos casos de dengue, zika ou chikungunya.

Mas, dessa vez, não tem muito o que temer: quem está aterrorizando o sono é o Cúlex, também conhecido como pernilongo comum ou muriçoca. Eles têm como principal criadouro o solo, recipientes comuns, água parada e poluída, com aspecto sujo e mal cheiroso.

A "pequena infestação" teve um efeito maior do que o nome indica. O morador do bairro São Mateus Marcelo Yoshiro, reside no nono andar de um prédio próximo da Avenida Itamar Franco e mora há 24 anos no mesmo lugar. "Em toda a minha vida, nunca vi tanto pernilongo por aqui, moro num andar superalto e por isso eles nunca vieram", conta Marcelo. "Nunca precisei usar inseticida e repelente em casa; nem mesmo quando estava com surto de dengue pela cidade, mas agora não consigo dormir sem ventilador, por exemplo", disse.

Mas tem gente que não se incomoda muito, pode acreditar. Segundo Sebastião da Silva, comerciante e morador do bairro São Mateus, os pernilongos não tiram seu sono e nem picam sua pele. Mas preocupam quanto às doenças que podem (ou não) transmitir.

Eu tenho medo, né?! Vai que o pernilongo picou uma pessoa que tem aids, e depois pica uma segunda pessoa. Vai passar a doença pra gente

Sebastião da Silva, comerciante

Mas será que esse medo do Sebastião tem algum fundamento científico? Bem, ele pode ficar tranquilo quanto ao vírus do HIV porque ele não pode ser transmitido por pernilongos. E isso ocorre porque a quantidade de sangue que o inseto “suga” de uma pessoa portadora do vírus da aids é insuficiente para contaminar outros.

O pernilongo teria de picar inúmeras pessoas infectadas para transmitir o vírus. E isso é estatisticamente impossível, já que eles se alimentam de pouco sangue. Uma picada já é suficiente para que eles se sintam satisfeitos.

Saiba mais mitos e verdades sobre o pernilongo

1. Pernilongo tem preferência por tipo sanguíneo

Mito. O que atrai são os odores emanados pelo corpo do homem ou dos animais. A muriçoca possui tendência a sugar o sangue humano, contudo, dependendo do ambiente onde vive, pode ser atraído por sangue de aves, cavalos, cachorros ou outros animais.

2. Perfume doce atrai mais pernilongos

Mito. Isso não faz parte da evolução do comportamento do mosquito. Pode ocorrer com outras espécies, como borrachudos ou mosquinhas pequenas, que costumam ser confundidas com pernilongos.

3. Repelente é o único cheiro que afasta os pernilongos

Mito. Esses odores são sinalizados pelos receptores químicos olfativos do mosquito, localizados principalmente nas antenas. Os repelentes atuam bloqueando a atividade desses receptores, confundindo a percepção do mosquito para um determinado alvo. Os mosquitos também se afastam de derivados de álcool na pele.

4. Somente as fêmeas picam

Verdade. Geralmente os machos ficam ao redor dos criadouros ou sob os arbustos enquanto as fêmeas picam. Alimentam-se de açúcar na seiva das plantas ou copulam com as fêmeas jovens que nascem nos criadouros. Às vezes estão dentro de casa, à procura de fêmeas para a cópula ou para abrigo do sol e da chuva.

5. As asas do pernilongo são motivo do zumbido Verdade. O zumbido do pernilongo é resultado das batidas das asas durante o voo. Elas produzem em média 270 a 307 batidas por segundo, assim, as batidas da asa desencadeiam uma onda de pressão, com propagação de som pelo ar de 300 a 900 Hz, frequência audível pelo ouvido humano.

6. Pernilongos não sobem em lugares altos

Depende. A fêmea pode voar até 2,5 km, em qualquer direção. Desde voos rasantes até em pontos mais altos. Existe também um movimento chamado “dispersão passiva”, que é o caso de quando os mosquitos entram em elevadores, ou até mesmo em um avião e vão para outro país.

Mosquito transgênicos

Os mosquitos Cúlex estão começando a desaparecer porque o tempo em Juiz de Fora esfriou. Segundo a bióloga Leonara Fayer, isso é uma coisa natural, já que no calor eles tendem a se reproduzir mais. Assim, como o tempo deu uma acalmada nos pernilongos citados, o projeto Aedes do Bem tem a intenção de diminuir a população de Aedes aegypti.

Esse projeto foi apresentado em Juiz de Fora em maio de 2017, e a XL Semana da Biologia da Universidade Federal de Juiz de Fora retomou, nessa terça-feira (7), o tema dos mosquitos machos transgêneros recebendo Cecília Kosmann, representante da Oxitec, empresa responsável pela liberação do mosquito na cidade. Ela ministrou um minicurso sobre o tema.

O macho transgênico tem em seu material genético uma proteína que vai matar a larva logo depois que a fêmea depositar os ovos. Segundo a bióloga Leonara Fayer, essa ação é regulada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Esse controle biológico é benéfico e vantajoso porque é feito com uma espécie específica, diferente do uso do inseticida, por exemplo, que não foi feito para atingir 'aquele' pernilongo

Leonara Fayer, bióloga

Juiz de Fora recebe Aedes do Bem em parceria com a empresa Oxitec (Foto: Divulgação/Oxitec)

Segundo Leonara Fayer, Piracicaba (SP) foi a primeira cidade brasileira a receber esse tipo de tecnologia. Juiz de Fora vai ser o segundo campo de atuação do mosquito transgênico: "Desde agosto estão estudando a região, e provavelmente o mosquito vai ser solto nos bairros Santa Luzia, Vila Olavo Costa e Monte Castelo".

Em 2016, os bairros escolhidos tiveram, respectivamente, 925, 564 e 152 casos da doença causadas pelo Aedes. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram mais de 18 mil casos confirmados na cidade inteira, com 48 mortes registradas.

O principal objetivo da empresa que vai soltar o mosquito é proteger os moradores da região com a redução significativa do número de mosquitos na vizinhança. A empresa responsável estima que em cerca de seis meses já poderá ser mensurada a redução da população dos mosquitos.

O que, exatamente, é esse projeto Aedes do Bem?

Produzido em laboratório, o Aedes do Bem é um macho que, ao copular com a fêmea selvagem do Aedes aegypti, transmite um gene para seus descendentes que faz com que eles morram antes de atingir a fase adulta.

Em cinco diferentes projetos, três no Brasil, um no Panamá e um nas Ilhas Cayman, os Aedes do Bem conseguiram reduzir em até 99% a população selvagem de Aedes aegypti nas áreas tratadas. Em Piracicaba, resultados preliminares mostraram uma redução de 82% nas larvas selvagens nas áreas tratadas com o Aedes do Bem, em comparação com a área não tratada. (Fonte: Aedsdobem.com)

(Fonte: Aedsdobem.com)

Quer saber mais sobre o mosquito transgênico? Assista o vídeo produzido pela Câmara Municipal de Juiz de Fora, que divulga o projeto na cidade.


 
 
 

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