Startup: Um empreendedorismo inovador
- 8 de nov. de 2017
- 7 min de leitura

(Foto: Pixabay.com)
Engana-se quem pensa que crise é o momento de fechar as portas para novas oportunidades. Investir em um novo negócio pode parecer assustador quando os índices econômicos do país não são os melhores possíveis. Porém, quando o assunto é startup, o cenário muda completamente. Afinal de contas, estamos falando em capital inicial baixo combinado a um crescimento em ritmo acelerado.
Afinal, o que são?
São empresas com ideias inovadoras. O empreendedor tem a capacidade de enxergar os problemas e as demandas do mercado e criar uma solução com um diferencial. Essas empresas não requerem um alto investimento para começar a operar e são escaláveis, ou seja, a receita da empresa aumenta, mas os custos se mantêm os mesmos ou não aumentam na mesma proporção. Além disso, o custo de manutenção é baixo.
Financeiramente falando, o lucro de uma startup cresce a cada mês, e ela consegue se sustentar em ambientes de incertezas. Atualmente, as mais comuns são as ligadas às áreas tecnológica ou digital. De acordo com a Startup Base, o modelo mais comum (21%) é o B2B, “business to business” (904 no Brasil), configuradas por transações comerciais entre empresas. Em seguida, vem o B2C, “business to consumer”, as que vendem para o consumidor final, somando 652 startups no país (15%).
As startups são o novo modelo queridinho por muitas das pessoas ligadas ao ramo de negócios. Mas possuir experiência empreendedora não é quesito para ser dono de uma, pelo contrário. Muitas startups já são comandadas por jovens com pouco dinheiro, mas muitos sonhos. Por quê? Porque as startups são o futuro. Elas atraem investidores, geram empregos, promovem o empreendedorismo inovador e driblam a crise econômica do país.
De acordo com a economista Fernanda Perobelli, uma empresa não sobrevive sem inovações tecnológicas, pois os consumidores ficam saturados com os produtos já existentes e deixam de comprar.
Na economia americana, por exemplo, o consumo rapidamente atinge os níveis de saturação. Se não for lançado um novo iPhone a cada ano, chegará um momento em que as pessoas vão parar de comprar os aparelhos que já existiam porque todos já estarão servidos
Fernanda Perobelli, economista
As startups no Brasil
Atualmente, existem 4.226 startups no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Startups. Mas você sabe quais são os estados que mais concentram essas empresas? Confira o top 5:
Ajuda que caiu do céu
As startups já são realidade no Brasil e têm uma importância significativa na economia brasileira. Quem possui uma veia empreendedora tem o sonho de comandar seu próprio negócio, mas mais do que isso, de mantê-lo firme no mercado. Porém abrir uma empresa sozinho pode ser complicado. É aí que entra a figura de uma “ajuda divina”: os investidores-anjos. No vocabulário empresarial, são pessoas que enxergam o alto potencial de uma empresa e investem seu capital nela. Geralmente, são empresários experientes que já têm empresas consolidadas e, por acreditarem na capacidade de uma empresa nova prosperar, entram com o "smart money" ("dinheiro inteligente").

(Foto: Visualhunt.com)
Um ponto interessante é que essas pessoas são “anjos” porque não se trata somente de recursos exclusivamente financeiros, na verdade. Quando um investidor-anjo coloca seu capital em uma empresa, ele coloca também sua expertise e compartilha seus valores e conhecimentos com o empreendedor que recebe essa “ajuda divina”.
Mas atenção: eles não se tornam sócios. De acordo com Lessandro Hebert, empresário e integrante da Anjos do Brasil e do fundo de investimento Anjo Bossa Nova, “o investidor-anjo normalmente tem uma participação minoritária no negócio, mas não tem posição executiva na empresa. É como um mentor, um conselheiro”, aponta.
De Juiz de Fora para o mundo
Você provavelmente já passou pela seguinte situação: sentou na mesa de um bar ou restaurante e pegou seu celular para se conectar à rede sem fio do estabelecimento. Mas a conexão pede uma senha, e você precisa chamar um atendente para que ele lhe forneça. E até que você o chama e ele te dá – isso quando não te dá o código errado – , o processo gera um certo incômodo.
Foi dessa dificuldade que, em 2013, em Juiz de Fora, surgiu o SemSenha.com, um gerenciador de pontos de internet de um local. O estabelecimento que possui o serviço oferece wifi gratuito e sem código de acesso ao cliente, e esse só precisa informar nome e e-mail. Mas a vantagem para o estabelecimento, além da comodidade do consumidor, foi uma dúvida inicial de Alexander Leal, CEO do SemSenha.com, e de Leonardo Pires, CTO.
Eles definiram que o benefício seria em forma de publicidade. Quando o dispositivo é conectado ao wifi, são exibidas na tela fotos atrativas do estabelecimento, promoções ou flyers que podem ser gerenciados pelo dono do estabelecimento.
Depois, o dispositivo é encaminhado a um endereço de web definido pelo dono, como as redes sociais ou o site. Outra vantagem: o dono passa a ter os dados do cliente, podendo expandir o leque de comunicação com ele.
O serviço está disponível em mais de 20 estados do Brasil em empresas, hotéis, restaurantes, cafeterias, supermercados, shoppings e até em igrejas. Os planos do SemSenha.com partem de R$ 150 mensais e variam de acordo com o número de conexões simultâneas que o estabelecimento deseja contratar.
Alexander Leal, CEO do SemSenha.com

Sócios do SemSenha.com (Foto: Arquivo pessoal)
A ideologia do Qranio, startup de Juiz de Fora que nasceu em 2011, é fazer com que os usuários do aplicativo aprendam de modo divertido. A empresa de base tecnológica incentiva esse aprendizado através de games nos quais você consegue acumular Qi$, a moeda virtual do jogo, para trocar por prêmios reais. O usuário do game pode optar por jogar em uma das categorias educacionais, como Enem, Ensino Fundamental, Biologia, Química, Física e Matemática.
“Inovamos no modo de ensinar, mostrando que aprender pode ser divertido e Qonseguimos atrair investidores e Qlientes que fizeram a empresa Qranio SA sair do Zero e passar a valer R$ 20 milhões no ano de 2014”, aponta Samir Iásbeck de Oliveira, CEO do Qranio. E não, ele não escreveu errado. É que o hábito de trocar as letras pela inicial da startup prova que o Qranio não é apenas uma empresa para ele, mas uma ideologia de vida.
A sede do Qranio em Juiz de Fora conta com aproximadamente 25 funcionários e tem usuários no mundo inteiro. Em seis anos operando no mercado, a empresa já atraiu não só usuários, mas também investidores e grandes clientes, como o Grupo Pão de Açúcar e o Bradesco, que usam a plataforma como um meio de aprendizado para seus funcionários.

Samir Iásbeck, CEO do Qranio (Foto: Arquivo pessoal)
Um aplicativo que reúne diversos bares e restaurantes de uma cidade para fazer o seu pedido já não era mais suficiente para Rafael Resende e Rodrigo Marliére, CEO e CFO do MaisApp, respectivamente. O MaisApp está há quase quatro anos operando, mas com o surgimento de outros aplicativos que ofereciam o mesmo serviço em Juiz de Fora, a equipe se sentiu impulsionada a lançar um algo a mais para se destacar da concorrência.
O diferencial encontrado pelo time foi o cashback, e o nome do novo app surgiu como um insight, enquanto o diretor de marketing assistia ao filme “Robin Hood”. Em agosto de 2016, foi lançado o Robin Food, com o slogan “Herói de verdade”. Rafael conta que, mesmo com uma base de usuários maior no MaisApp, com mais de cem mil downloads, há mais pedidos hoje no Robin Food, que tem quase oito mil downloads. Ou seja, a taxa de conversão aumentou de um aplicativo para o outro. A vantagem para o empreendimento alimentício é a fidelização do consumidor. Em retorno, o estabelecimento cadastrado no Robin Food paga à empresa uma porcentagem sob cada pedido que é feito através do aplicativo.
Como nós devolvemos parte do dinheiro, algo que o consumidor não ia pedir antes, agora ele vai pedir
Rafael Resende, CEO do Robin Food
O consumidor recebe a mercadoria e, após uma análise para conferir se nenhum imprevisto ocorreu com a entrega, o aplicativo devolve 5% do valor total. Por exemplo, em um pedido de R$ 40, o usuário recebe R$ 2. Esse crédito fica disponível para o uso dentro do aplicativo, e é possível acumulá-lo até que um outro pedido saia de graça para o usuário, por exemplo. Com dez meses de atuação, o Robin Food já devolveu mais de R$ 80 mil em crédito. Em São Paulo, o serviço começou a operar há dois meses e já abrange 70 estabelecimentos.

Rafael Resende, CEO do Robin Food (Foto: Giovanna Lima)
Para quem tem o próprio carro, mas não deseja ser o motorista da vez, o aplicativo Chofer da Hora soluciona o problema. A criadora da plataforma é a Only Drivers, Agência de Capacitação e Prestação de Serviços de Motoristas. A empresa nasceu em Juiz de Fora e, atualmente, atende às principais capitais do país.
O usuário do Chofer da Hora contrata somente um profissional capacitado, e é conduzido em seu próprio carro. Segundo José Carlos Silva Mateus, CEO da Only Drivers e criador do Chofer da Hora, o serviço pode ser contratado para qualquer necessidade dentro ou fora do município. O motorista cadastrado no aplicativo passa por um curso, recebe a credencial da empresa - se aprovado - para, então, se tornar um Chofer da Hora.
Com apenas quatro meses de atuação, o app conta com 18 motoristas e dez em curso. José ressalta que o serviço é uma maneira de os motoristas complementarem a renda. Para o cliente, a vantagem é “a certeza de ter um bom motorista particular somente nos dias e horas do seu interesse”, enaltece. O custo é de R$ 30 por hora, sendo a solicitação mínima de uma hora e meia. O valor final é pago diretamente pelo aplicativo.

José Carlos Silva Mateus, CEO da Only Drivers e criador do aplicativo Chofer da Hora (Foto: Arquivo pessoal)
Agora é a hora!
Ficou com vontade de abrir sua própria empresa? Veja este vídeo com várias dicas de como criar e manter uma startup!















Comentários