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Quem são os melhores amigos dos cães?

  • 6 de nov. de 2017
  • 5 min de leitura

Não é de hoje que os cães são considerados os melhores amigos do homem. Muitas crianças têm o sonho de ganhar de presente no natal um filhotinho para ser seu fiel escudeiro. Vídeos de cães brincalhões fazendo travessuras sempre bombam na internet e rendem muitas curtidas e comentários. Inúmeros casais têm optado por criarem animais domésticos em vez de terem filhos. Por que então o número de animais abandonados nas ruas tem crescido tanto no país? Será que o ser humano também é o melhor amigo do cão?

A Organização Mundial da Saúde estimou, em 2014, que só no Brasil existiam mais de 30 milhões de animais abandonados, 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. E esses números crescem diariamente.

Sair de casa e cruzar com animais esqueléticos, sujos, fracos, machucados e com poucas chances de sobrevivência vem se tornando cada vez mais rotineiro. E em de Juiz de Fora não é diferente, estima-se que existam na cidade cerca de 700 animais vagando pelas ruas, sem destino e sem um lar. Felizmente, as ONGs e Associações protetoras de animais têm se tornado cada vez mais atuantes.

Com o objetivo de controlar as doenças transmitidas pelos animais aos seres humanos, evitar acidentes de trânsito, ataques/mordeduras às pessoas e maus tratos aos animais, o DEMLURB, em parceria com a Secretaria de Saúde, realiza o resgate de animais abandonados nas ruas. Em seguida, eles são enviados para o Canil Municipal, que foi fundado em 2004. Os cães que são apreendidos passam por uma triagem, recebem medicamentos, quando necessário, e aguardam pelo menos por três dias por um possível proprietário. Após este período, os cães recebem vacinas, vermífugos e são disponibilizados para adoção. Confira abaixo um vídeo de um humorista da cidade apresentando o espaço e falando um pouco mais sobre como funciona o processo adotivo.

Vídeo disponível na página do Canil no Facebook: Cleydiomara visita o Canil Municipal de Juiz de Fora

Outro exemplo de ONG que cuida de animais abandonados é a Sociedade Juizforense de Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente (SJPA), a ONG mais antiga da cidade, legalmente constituída em 1986. O aposentado Marcos Silveira trabalha no local há 30 anos. Todos os dias, religiosamente, vai ao local cuidar dos cães e gatos abrigados. “São mais de quatrocentos já! É muita coisa. E cada semana chegam mais, em média uns seis. Às vezes chegam três, quatro, de uma vez só. É difícil”. Segundo Marcos, o que tem se observado, infelizmente, é o aumento do número de animais abandonados, enquanto o valor das doações diminui drasticamente. No ano passado, esses números giravam em torno de R$4.000 por mês, agora, baixou para R$2.000. “Ultimamente, o valor não tem sido suficiente. Por dia gastamos 150 quilos de ração para alimentar todos os animais do abrigo. Além disso, o número de animais acidentados ou que precisam de cuidados médicos urgentes que chegam para nós é grande e não temos convênio com nenhuma clínica veterinária, o que dificulta ainda mais.” O voluntário lembra que as pessoas podem ajudar não só por meio de doações à conta da ONG, mas, também, por meio de doações de ração, produtos de limpeza, auxílio na limpeza dos canis e do gatil, ajudando a dar banho nos animais resgatados e, principalmente, visitando o abrigo. “A pessoa que mais ajuda é aquela que vem aqui e dá carinho e atenção para eles, faz toda a diferença.” Se você se interessou em ajudar, através do próprio site da ONG é possivel doar uma quantia!

Jussara Araújo é presidente da ONG Associação Vida Protegida (AVIP) e costuma sair pelas ruas da cidade resgatando animais abandonados. A ONG vai completar 5 anos no fim deste ano e já resgatou mais de 130 animais. “Como nós não temos abrigo, todos os cães e gatos que resgatamos ficam num hotel, aonde nós pagamos por mês a hospedagem, até conseguirem adoção. Para isso, realizamos diversos eventos, como feiras e mutirões. Quando, mesmo assim, não conseguem, a gente divulga no Facebook, onde temos álbuns com fotos dos cães e gatos disponíveis para adoção, ou no próprio site da Associação”. O valor das doações para a AVIP era de R$5.000 e caiu para R$1.500 reais por mês. Para cobrir as despesas, Jussara e outros voluntários têm tirado dinheiro do próprio bolso, mas ela faz um apelo: “Qualquer valor que uma pessoa doa para a ONG, já ajuda a salvar uma vida”.

Jussara recebendo amor de um dos cães que resgatou

Para diminuir a situação do abandono na cidade, a presidente da ONG aposta na castração: “A castração além de ajudar atenuar o número de animais nas ruas, porque diminui a taxa de natalidade, deixa a população de cães mais saudável, porque quando castrados eles têm uma menor incidência de tumores relacionados com a parte reprodutora do corpo, tanto os machos, quanto as fêmeas”. Jussara ainda destaca o motivo das ONGs e Associações serem indispensáveis em Juiz de Fora e em qualquer outra cidade: “Essas pessoas – nós, que somos voluntários, na grande maioria das vezes, assumimos o papel que é do Poder Público, de proteger a fauna, conforme menciona a Constituição Federal. A grande maioria das cidades não tem políticas públicas voltadas para a causa animal. São esses grupos que realizam todo o trabalho, arcando com os custos de resgate, tratamento e conseguindo um lar para os animais”.

Registro publicado pela AVIP em sua página do Facebook. "Negão" e "Amarelo" em um gesto de muito carinho.

Quem decidiu mudar a vida de um cãozinho resgatado e levá-lo para casa garante que está muito feliz. É o caso da estudante de veterinária, Thais Jaguaribe, que além de defensora da causa dos animais abandonados, já adotou duas cadelas, que, segundo ela, se tornaram suas melhores amigas. “A Chitara foi em uma feira de adoção que estava acontecendo no estacionamento de uma lanchonete. Eu já pretendia adotar, de preferência um cachorro que estava há muito tempo no abrigo (aqueles que as pessoas menos se interessam) e foi amor a primeira vista! E a minha outra cadela, a Atena, foi por meio de uma amiga, que me contou que ela havia sido atingida por bombinhas após o abandono. Assim que ficou curada e saudável, adotei”. Para continuar ajudando, Thais e sua família se tornaram voluntárias da Sociedade Juizforense de Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente (SJPA), citada no início da reportagem. “Sempre ficava triste por ver animais de rua e achava que não tinha condições de ajudar, que precisava de muito dinheiro ou muito espaço. Hoje, sei que mesmo com pouco posso ajudar. Cedendo de espaço para lar temporário, por exemplo, ajudando na limpeza dos canis e, em casos de resgate, sempre ajudamos financeiramente. Além disso, peço ajuda nas redes sociais, para os gastos com medicação e veterinário, muitas pessoas doam. Enfim... Pequenas ações ajudam e muito!”

Thais com suas cadelas adotivas, Atena e Chitara

Outro exemplo de alguém que mudou a sua vida e a de um cão abandonado é o da estudante de biologia, Teresa Lopes, que viu, através de um grupo de adoção do Facebook, uma postagem sobre quatro filhotes deixados na rua em uma caixa de papelão. Poucos dias depois, um deles ganhava um novo lar ao seu lado. Hoje, três anos e meio depois, ela afirma: “A adoção influenciou completamente a minha vida. Em primeiro lugar, depois de adotá-lo meus sentimentos de compaixão e carinho por outros animais, principalmente pelos que são abandonados aumentou. Passei a fazer doações e participar de campanhas para ajudar outros animais a serem resgatados das ruas ou aqueles que precisam de algum tratamento médico. Também dou lar temporário".

O chamego com seu cão adotivo é tanto que Teresa o matriculou numa aula de natação especial para cães

Teresa ainda ressalta: "Aprendi a valorizar outra vida muito mais do que a minha, é uma relação de mãe e filho mesmo. Me sinto também mais responsável de uma maneira geral, porque tive que aprender a considerar outros vários fatores em minhas decisões em relação a viagens e gastos em geral principalmente. Mas a maior influência foi, com certeza, a sensação de felicidade imensurável que ele trouxe não só para mim, mas para todos que convivem com ele.”


 
 
 

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