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Diversão sobre rodas

  • 1 de nov. de 2017
  • 5 min de leitura

Há algum tempo estamos vivenciando a gourmetização da cerveja no país. Se antes algumas poucas marcas dominavam o mercado e o happy hour dos brasileiros, hoje percebemos que esse cenário mudou em velocidade espantosa e teve grande aceitação pelo público, que agora preza por cervejas e chopes com ingredientes de altos patamares e sabores diferenciados e inovadores.

Os tipos mais populares de cerveja artesanal

Com essa crescente necessidade do atual mercado cervejeiro, de sempre surpreender os clientes com novidades, foi preciso criar um novo formato de comercialização do produto: um veículo customizado para receber a instalação de uma chopeira, transformando-se, assim, em um verdadeiro bar sobre rodas.

Os denominados “beer trucks” tornaram-se uma ótima opção para empreendedores por inúmeros motivos. Além de ser bastante prático, oferecendo o benefício da fácil locomoção e ampliando assim a possibilidade de participação em eventos, é ainda uma opção superestilosa, pois os trucks são customizados de forma a chamarem bastante atenção. É possível instalar um beer truck em Kombis, vans, furgões, Splinters e até pequenos caminhões, depende do quanto você estiver disposto a investir.

Por exemplo, o jovem empreendedor Lucas Olivato, sócio-proprietário da Arena Breja há seis meses, investiu inicialmente aproximadamente R$ 30 mil, isso para fazer “o básico” - comprar uma Kombi, instalar o sistema de chopeiras e alguns outros equipamentos necessários, aprimorar a manutenção do veículo (lataria, pintura, rodas) e personalizá-lo. Além desse investimento inicial, ele conta que é preciso manter um investimento mensal médio, que envolve as taxas para participar dos eventos do ramo e os valores da produção e/ou compra dos chopes. “Penso em um valor entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Claro que isso depende diretamente dos seus lucros, da quantidade de eventos e do tipo de evento que você consegue participar naquele mês.”

Lucas se envolveu neste ramo totalmente por acaso, assim como vários outros empreendedores. “Tudo começou quando viajei para um festival de cerveja artesanal com um amigo e seu pai, onde nos encantamos pelos beer trucks. Chegando a Juiz de Fora, o pai do meu amigo decidiu comprar uma Kombi, equipá-la e investir nisso de fato. No primeiro evento deles eu fui junto para curtir, sem pretensão de trabalhar, no entanto foi um sucesso e havia tanta gente comprando que eles não estavam conseguindo atender a todos. Foi aí que eu comecei a ajudar e acabei entrando para o time. Depois de um tempo nisso, eu e esse amigo tivemos a ideia de criar outra Kombi, com um visual mais moderno e estilizado, e começar uma sociedade.”

Hoje, a renda dos dois vem exclusivamente do beer truck, e eles pretendem investir cada vez mais no projeto - inclusive estão estudando a possibilidade de se lançarem em uma nova e diferenciada plataforma digital, através de um aplicativo para celular. O sócio-proprietário do Arena Breja ainda comentou sobre o fato de o surgimento e consolidação desse tipo de negócio ter sido extremamente rápido no último ano, uma vez que, segundo ele, seu truck foi um dos pioneiros do mercado e hoje já existem entre 15 a 20 outros, só aqui em Juiz de Fora. “A tendência é essa expansão continuar intensamente, até porque esse tipo de coisa, querendo ou não, tem um certo 'prazo de validade', e no momento está totalmente em alta; na moda.”

Mas não pense que é moleza, afinal, aqui em Minas Gerais ainda não existe nenhuma legislação que permita a venda de bebida alcoólicas na rua, limitando os “truckers” a trabalharem legalmente apenas em eventos que tenham alvará de liberação para venda no local. “É uma realidade muito instável. Não temos um ponto fixo para trabalhar, logo, se um cliente gostou do nosso trabalho mas não acessou nossas mídias sociais, ele não tem como saber ao certo onde nos encontrar. E a variação de renda é extrema, alguns meses não temos quase nenhum lucro, já em outros meses é possível tirar um faturamento 'absurdo'. Claro que cabe ao proprietário uma boa administração, mas tudo pode interferir: a situação econômica do país, o mês, o clima no dia de um evento, o número de eventos, o tipo de público, entre outras variantes”, ressalta Lucas.

Por outro lado, o negócio móvel permite alcançar públicos de lugares distantes que seriam impossíveis para comércios não-itinerantes. Além disso, o fato de não ter que pagar aluguel, ainda podendo sair um pouco da rotina a cada fim de semana, é algo tentador para qualquer comerciante! No Arena Breja, ainda há mais um benefício para os trabalhadores contratados, comenta o proprietário: “É expressamente liberado o consumo de todas as nossas cervejas por eles, sem nenhum custo. Acreditamos que isso ajuda na hora de saber explicar e efetuar a venda ao consumidor, sem contar que o bom humor acompanha tudo isso”.

Enquanto os proprietários da Arena Breja optam por comercializar diversos tipos de chopes das cervejarias de Juiz de Fora, outros “truckers” produzem e vendem sua própria cerveja artesanal personalizada. É o caso do empresário João Pedro Grizendi, proprietário da Kombi "Grizas Brew", que começou seu negócio com um capital inicial de R$ 25 mil. Seu objetivo era complementar sua cervejaria e ter um contato mais fácil com o cliente final, contando com um custo relativamente baixo. Ele comentou que no momento o mercado está se tornando mais fávorável para o empreendedor de um beer truck, pois além dos grandes eventos do gênero em Minas Gerais e região, estão surgindo muitas oportunidades de trabalhar também em eventos particulares de pequeno e médio porte.

João Pedro ainda comentou um fato curioso sobre as cervejarias itinerantes: "Sinceramente, não há fiscalização sanitária nem legislativa para o truck. Basta o carro estar regular no Detran e a cervejaria ter o MAPA do Ministério de Agricultura. Quanto à questão da higienização e limpeza do veículo e do que é servido nele, isso fica por nossa conta mesmo".

Outro exemplo de um empresário que também produz seu próprio chope personalizado é Alexandre Vaz, um dos maiores nomes do ramo em Juiz de Fora, presidente da União Cervejeira da Zona da Mata e sócio-proprietário do São Bartolomeu. “O bar já estava numa pegada de inovação, de fazer coisas novas, e percebemos que vendendo cervejas produzidas por outros mestres cervejeiros não iríamos saciar a nossa alma nesse sentido.”

Segundo Alexandre, o ramo das cervejas artesanais, que está em expansão, tem atraído turistas e gerado muita renda para a cidade. Ele ressaltou que essa popularização repentina teve ainda um outro resultado positivo: o fato de inúmeros cervejeiros caseiros agora terem a possibilidade de inaugurar suas próprias cervejarias, tanto fixas quanto itinerantes, fábricas ou até mesmo produzindo de forma “cigana” (termo muito popular entre os envolvidos no ramo). O método cigano de produção é utilizado por pequenos produtores que pretendem introduzir seus rótulos artesanais no mercado, mas ainda não têm capital para ter a própria fábrica. A solução é “alugar” a estrutura de cervejarias para produzir as receitas. O nome cigano vem da possibilidade de migração para outra fábrica.

O grupo itinerante do mestre cervejeiro inclui um Fusca, uma Kombi, dois trucks clássicos (um de cerveja e um de hambúrgueres) e até mesmo um tuk-tuk. “A ideia é ter mais coisas ainda, afinal, essa mobilidade é um projeto essencial para qualquer cervejaria hoje; é muito importante marcar presença nos eventos. É uma das melhores formas de marketing, pois além do retorno imediato que você recebe naquele momento, ainda há uma interação diferente e direta com o público.”

Ele ainda ressalta que nesse ramo é preciso ter cautela, pois muitas pessoas se empolgam com a “ideia da moda” e investem num beer truck sem ter a mínima noção do que está acontecendo de fato no mercado. “Você tem que ter um network por trás desse investimento, um preparo de controle administrativo e um capital de giro, até porque existem eventos em que você acaba gastando mais do que ganha.” Segundo o empresário, esse cuidado é necessário para não acontecer, por exemplo, o que ocorreu com vários empreendedores do ramo de food trucks. “Hoje é possível achar vários veículos destes à venda, pois muitas pessoas iniciaram esse tipo de negócio ‘na emoção’, sem ter conhecimento do nicho. Os bons vão ficar. Os que sabem exatamente o que estão fazendo nesse mercado vão ficar. Mas vários outros, não.”


 
 
 

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