Outubro Rosa alerta sobre a prevenção contra o câncer de mama
- 17 de out. de 2017
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Corrida pela Cura (Foto: Visualhunt.com)
Na próxima quinta-feira, 19, é celebrado o Dia Internacional do Câncer de Mama. Porém, somente um dia no ano é pouco para a importância da conscientização sobre a doença. Por isso, mundialmente, todo o mês de outubro é dedicado à divulgação da prevenção. É só andar pelas ruas que encontramos lugares iluminados com luzes cor-de-rosa, cartazes da campanha, pessoas vestindo a camisa da causa e usando o símbolo da campanha na lapela: um lacinho rosa.
Inclusive, a história do laço rosa, ícone que foi adotado pelo Outubro Rosa, começou através da maior organização que luta conta o câncer de mama no mundo, a Fundação Susan G. Komen for the Cure. Em Nova Iorque, no ano de 1991, a fundação distribuiu lacinhos cor-de-rosa aos participantes da primeira edição da Corrida pela Cura (Komen Race for the Cure). A partir daí, outras entidades ao redor do mundo foram aderindo à ideia e disseminando o lacinho rosa em suas campanhas.
Outra ação também muito comum neste mês de outubro é iluminar locais e monumentos com luzes da cor da campanha. No Brasil, a primeira iniciativa foi no Mausoléu do Soldado Constitucionalista (o Obelisco do Ibirapuera), em São Paulo, no ano de 2012. Hoje em dia, vários locais no Brasil recebem spots de luzes rosas. Dia 01 de outubro deste ano, Brasília viu vários de seus principais monumentos se tornarem rosados, como o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Ministério das das Relações Exteriores.

Palácio do Planalto iluminado de rosa , em 2017 (Foto: Visualhunt.com)
A campanha do Outubro Rosa se iniciou nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 2012. O intuito é alertar as mulheres sobre a importância de se cuidarem, fazendo os exames de mamografia regularmente, já que este é o único método de se identificar um possível câncer de mama, ainda em estágio inicial, para iniciar seu tratamento.
De acordo com dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, o de mama é o segundo tipo mais comum e também o que mais causa morte entre as mulheres, ficando atrás somente do câncer de pele não melanoma, que é o mais incidente entre a população mundial. Ainda segundo o órgão, 1 em cada 4 tipos de câncer que atingem as mulheres é o câncer de mama, sendo responsável por 25% dos casos.
Os dados são assustadores: em 2016, foram 57.960 mulheres afetadas pela doença, só no Brasil, segundo previsão do Inca, Instituto Nacional de Câncer. A dificuldade de detectar a doença precocemente ocorre por causa da ausência de sintomas em sua fase inicial. Por isso, o Outubro Rosa vem para lembrar que os exames de mamografia devem ser realizados frequentemente, pois quanto mais cedo o câncer for identificado, maiores são as chances de cura.
Não são só as mulheres

Foto: Fundação do Câncer
Apesar da alta incidência entre as mulheres, uma coisa que grande parte da população não sabe é que o câncer de mama pode atingir também os homens, apesar de ser bem menos comum. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, os casos de câncer de mama em homens representam 1% do total.
Em 2013, último ano em que foram divulgados dados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, morreram de câncer de mama 14.388 pessoas, das quais 14.206 eram mulheres e 181 eram homens. É bem raro, mas acontece. O tipo de câncer que afeta as mulheres é basicamente o mesmo que afeta os homens, porém, o diagnóstico no sexo masculino, na maioria dos casos, ocorre mais tarde, já nos estágios 2 ou 3, justamente pela não preocupação dos homens em relação às suas mamas.
Os sintomas costumam ser os mesmos do que no sexo feminino: surgimento de nódulos e secreção nos mamilos. O tratamento, assim como ocorre com as mulheres, também consiste em mastectomia, quimioterapia e radioterapia.
A tecnologia a favor da prevenção

O Instituto Neo Mama lançou, em 2014, o aplicativo "Laço Rosa Neo Mama", no qual é possível encontrar textos e ilustrações ensinando a fazer o autoexame, procedimento simples que a mulher realiza nela mesma. Além disso, o usuário consegue compartilhar algumas mensagens do app em suas redes sociais, disseminando o assunto e apoiando a causa.
O aplicativo permite também que o usuário tire uma selfie, adicione o sentimento do dia e a marca do Outubro Rosa na foto, para depois compartilhar em seus perfis. Quem baixa o app também fica por dentro das notícias mais importantes do mês da conscientização. Por enquanto, o download é disponível apenas para o sistema operacional Android.
Ações da Ascomcer
O Hospital Ascomcer (Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer de Juiz de Fora) apoia a campanha do Outubro Rosa todos os anos e, este ano, preparou uma programação que envolve palestras, oficinas, simpósios, além da realização de mamografias na unidade e também no ASCOMÓVEL, automóvel que realiza os exames clínicos de mama.
O ASCOMÓVEL pode ser encontrado estacionado em frente ao hospital (Av. Presidente Itamar Franco, 3.500, Cascatinha). Nele, enfermeiras estão disponíveis para realizar o exame clínico, que é feito gratuitamente em mulheres de 50 a 69 anos, encaminhar pacientes para fazerem a mamografia no hospital e também orientar a população sobre a prevenção da doença. Hoje (17), o ASCOMÓVEL estará disponível em frente ao HiperBretas, de 13h às 17h.

ASCOMÓVEL fica estacionado em frente à Ascomcer (Foto: Divugação)
A ação que mais recebe destaque na programação do hospital é a 5ª Corrida Solidária da Ascomcer, evento que acontece no próximo domingo (22), de 8h ao meio dia, na UFJF. Segundo Sara Tellado Brandão, Assessora de Comunicação da Ascomcer, a expectativa para a corrida é muito positiva, tendo o limite de participantes atingido antes mesmo das inscrições terem terminado. "A procura foi enorme e ficamos muito felizes de ver todas essas pessoas abraçando a nossa causa", ela enaltece.
O hospital é uma instituição que está sempre à frente das homenagens do Outubro Rosa em Juiz de Fora. "Apoiamos uma iniciativa mundial e buscamos trazer para a população juiz-forana mais informação sobre a doença, mostrando às mulheres a importância e conscientização de prevenção pelo diagnóstico precoce do câncer de mama.", Sara pontua.
Ela ainda comenta que a Ascomcer não recebe doação de cabelos, como muita gente faz em prol de uma boa ação. É que, em Juiz de Fora, há um déficit de profissionais que confeccionam perucas, e o hospital conta com apenas uma voluntária. Como o armazenamento dos cabelos tem que ser feito em locais especiais por causa de refrigeração e clima, fica complicado para a Ascomcer guardar os cabelos doados sem que haja profissionais voluntários para transformá-los em perucas.
Além disso, Sara revela que as próprias pacientes não costumam pedir cabelos, e sim, lenços. Por isso, o hospital não se preocupa muito com a questão das perucas.
Vestindo essa camisa e apoiando a causa
Muitas instituições mostram apoio ao Outubro Rosa, não somente colocando cartazes em suas fachadas, mas colocando a mão na massa. Foi o que fez o Rhema Centro de Estética, que levou parte da sua equipe para uma Manhã na Beleza na Ascomcer. Atendendo pacientes, familiares e funcionários do hospital.
Segundo a proprietária do salão, Fabiana Gama, o Rhema sempre trabalhou com propósitos maiores, e essa foi a oportunidade perfeita. "Eu sempre quis fazer um trabalho com a equipe em uma instituição. Então achei maravilhosa a sensação de poder contribuir na vida das pessoas. E quero poder contribuir mais vezes!", exclama.
Confira alguns cliques do evento:
(Fotos: Arquivo Pessoal/Bruno Moraes)
O evento, que aconteceu de 8h às 12h na primeira quarta-feira do mês (4), lotou o auditório do hospital. A equipe ficou quatro horas de plantão para fazer maquiagem, sessões de massagens, design de sobrancelha, cortes de cabelo, escovas, penteados e esmaltação nas unhas. E não compareceram apenas as mulheres - muitos pacientes homens marcaram presença para receber massagem e corte de cabelo.
Assista ao vídeo da campanha:
(Vídeo: Fly Films. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EPDOuoINHVE
Superação
Eloísa Helena de Menezes, de 59 anos, estava presente na Manhã da Beleza: "É uma oportunidade que a gente tem. Eu, por exemplo, nunca fui muito chegada à maquiagem, então foi uma chance da gente aproveitar, porque a nossa autoestima realmente fica mexida.", ela conta. Eloísa é paciente da Ascomcer desde 2008, quando descobriu, através do exame de rotina, o câncer de mama. Ela fazia a mamografia todo ano, mas em 2008 o resultado foi diferente, e ela logo teve que realizar a cirurgia de retirada da mama direita. Depois da operação, ela fez uma sessão de quimioterapia, onde perdeu todo o cabelo, por causa da medicação que teve que tomar para o procedimento. Por causa de uma cardiopatia, não pôde prosseguir com a quimioterapia. Fez 28 sessões de radioterapia e continuou tomando a medicação necessária.
Em março deste ano, Eloísa foi indicada pela sua médica a suspender os remédios pois está curada do câncer de mama. Atualmente, faz acompanhamento e realiza os exames na mama esquerda de três em três meses. Uma característica marcante é o seu cabelo rosa, o qual ela pintou em homenagem à amiga dela, que estava com um tumor perto do coração. Eloísa fez uma promessa na véspera da cirurgia da sua amiga, quando estava ao seu lado no hospital, que iria colorir os fios se a amiga dela saísse bem na operação. Eloísa cumpriu a promessa. E não são só as mechas que ela usa na cor rosa - sempre carrega alguma peça do vestuário nessa cor, desde que descobriu sua doença. "Era como se o tom de rosa fosse um remédio para mim, me faz eu me sentir bem", ela explica.

Eloísa na Manhã da Beleza (Foto: Bruno Moraes)
Prevenindo-se
O câncer de mama, se diagnosticado em estágio ainda inicial, tem possibilidade de ter um tratamento bem sucedido. Por isso, o Ministério da Saúde indica ações essenciais para evitar que esta doença tome proporções irreversíveis:
1) Realizar exame clínico das mamas
A idade ideal para começar a fazer o exame clínico das mamas é a partir dos 40 anos. Por isso, o recomendado é visitar um médico especialista de ano em ano.
2) Fazer mamografia regularmente
O exame é o único método capaz de diagnosticar o câncer de mama em estágio inicial. De acordo com o Controle do Câncer de Mama, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2004, a mamografia deve ser feita em mulheres entre 50 e 69 anos em um intervalo de tempo de 2 anos.
3) Pesquisar histórico de câncer na família
Se a mulher tem algum caso de câncer de mama na família, a prevenção deve começar mais cedo. A mamografia, por exemplo, tem que ser feita a partir dos 35 anos, mais precocemente do que quem não tem histórico familiar. Por isso, se a mulher já ouviu algum caso dentro de sua família, é fundamental que ela consulte com um médico o mais cedo possível.
4) Fazer o autoexame
O autoexame NÃO exclui a necessidade da mamografia, porém, pode ajudar na identificação de possíveis nódulos. Ele deve ser feito a partir dos 40 anos em quem não tem casos de câncer na família e a partir dos 20 em quem tem. O autoexame deve ser feito mensalmente com a mulher de frente para o espelho, no qual ela mesma analisa suas próprias mamas para identificar irregularidades.















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