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Mais de 30 Apps de paquera promovem conexões afetivas pelo mundo

  • 16 de out. de 2017
  • 6 min de leitura

"Deu match", "meu crush"... Você com certeza já ouviu alguma dessas expressões. Quando o assunto é aplicativo de paquera, sempre lembramos de alguém que usa ou já usou. Com a tecnologia simplificando o cotidiano, ela também auxilia na aproximação de pessoas com interesses comuns, mesmo que esse interesse esteja ligado a uma paquera, relacionamento aberto, sério, ou até mesmo curtição.

É por esse motivo que atualmente existem mais de 30 aplicativos de paquera espalhados pelo mundo. E os brasileiros, bons seguidores de tendências, não ficam de fora. Segundo pesquisa realizada pelo Match Group, o Brasil tem mais de 4,8 mil solteiros on-line, desses, 60% têm preferência por buscar pretendentes em aplicativos que facilitam a busca através de características e interesses comuns.

Segundo artigo publicado na Revista Científica de Comunicação Social da Escola de Comunicação da PUC Goiás, a maior parte dos usuários de aplicativos de relacionamento são mulheres (dados de 2016), sendo essas 62,5%, e a maioria tem entre 17 e 24 anos. Apesar disso, existe uma grande variedade dessas plataformas: tem aplicativo para casais hetero, homossexuais, para pessoas que procuram mais especificamente por sexo, para solteiros acima de 40 anos, entre outros.

A estudante de Direito, Beatriz Ribas, 22, está inclusa no percentual dos 60% de brasileiros que optam por observar interesses em comum. Ela nunca gostou que a apresentassem a possíveis pretendentes porque se sentia na obrigação de retribuir a afinidade. Passando por momentos difíceis, seus amigos indicaram que ela baixasse um aplicativo de paquera. Ela optou por fazer download do Happn.

"Os critérios estão ali, se você quiser usar para filtrar".

Segundo a estudante, ela analisava os perfis das pessoas que passavam pelo seu raio de proximidade através de suas preferências musicais, posicionamento político e também observava se gostavam de locais tranquilos para sair. "Os critérios estão ali, se você quiser usar para filtrar. Chega de baladinhas", ela brinca.

Beatriz conta que em menos de um mês ela desinstalou o aplicativo porque já havia encontrado o que tinha ido procurar: "Eu curti ele primeiro e no outro dia recebi a notificação que ele me curtiu também e me chamou para conversar. Enrolamos por volta de uma semana até que fomos em um barzinho beber cerveja para nos conhecermos melhor. O local estava bem cheio e agradável. Encontramos pessoas conhecidas em volta e ficamos mais a vontade... Porque, sinceramente, imagina o nervosismo de encontrar alguém que você conheceu pelo aplicativo".

Fugindo da pressão dos amigos, a estudante encontrou nesse recurso uma forma de ser mais natural. "O Matheus eu escolhi por mim mesma. Não tínhamos nenhuma obrigação, nem teria clima estranho com os amigos, se não desse certo. Foi bem natural. A gente se encontrava às vezes e aos poucos começamos a conviver mais, até que um dia notei que eu contava os segundos para eu sair da aula a noite e encontrar com ele, passamos a fazer isso todos os dias."

Beatriz e Matheus se conheceram em um aplicativo de paquera e estão juntos há um ano e seis meses

Segundo Beatriz Ribas, o fortalecimento dos laços acontece dependendo do que as pessoas procuram nos aplicativos de paquera. "Muita gente reclama dos Apps como se fossem fúteis, mas acho que as pessoas têm usado errado. Saem curtindo e se pegando sem nem conhecer, o que muda pra uma balada? Acho que só fortalece se ambos já querem algo, se não, não faz diferença", opina.

"Aos poucos você sente se aquela pessoa teria espaço na sua vida."

A publicitária Carolina Cotta, 23, usou um aplicativo de paquera pela primeira vez há cerca de dois anos. Recém saída de um namoro de três anos, uns amigos indicaram que ela usasse o Tinder para conhecer outras pessoas. "Esse aplicativo pareceu ser uma ótima opção pra mim que sempre tive um certo problema de me relacionar por causa de timidez ou vergonha de alguma coisa específica", conta.

"Na vida, não só no aplicativo, a gente sempre conhece pessoas que somam e outras que nos causam algum mal. No Tinder, eu conheci esses dois lados", diz Carolina. Segundo ela, o lado ruim do aplicativo é que as pessoas não conseguem saber o que as outras querem de verdade, quais são suas principais intenções e o quanto você deve se doar para alguém tendo a certeza do terreno que está pisando.

Raphaella e Carolina se conheceram no Tinder e namoram há quatro meses

"Me lembro de uma história que aconteceu em fevereiro de 2016 quando conheci uma menina de Niterói. Descobrimos milhares de coisas em comum, mas depois de algumas semanas as coisas desandaram e essa menina conseguiu me magoar de diversas formas, inclusive, fez questão de deixar bem claro o motivo pelo qual ela não queria mais: meu corpo", revela a publicitária.

Superando a experiência ruim, ela continuou no aplicativo e, em 2016, conheceu Raphaella. "Nesse tempo ela soube muita coisa sobre mim e eu soube muita coisa sobre ela. Nós nos tornamos muito próximas e, claramente, nos apaixonamos uma pela outra. Depois de um ano de conversa e de declarações a gente viu que tudo poderia dar certo, porque estávamos na mesma sintonia e porque queríamos a mesma coisa pra nós", conta Carolina.

De acordo com a publicitária, a primeira coisa a se fazer é conversar e descobrir milhares de interesses em comum, ou não. Mas aos poucos você sente se aquela pessoa teria espaço na sua vida. Aí depois disso acontece o encontro e o relacionamento deixa de ser “virtual”. Acredito que o aplicativo de paquera seja só uma ferramenta pra conhecer pessoas e trazê-las para o mundo “real”.

O que um profissional acha sobre o tema?

Encurtando as distâncias físicas, os aplicativos de paquera têm a vantagem de permitir um contato e interação mais frequente entre os pretendentes. Segundo a psicóloga Joana Baldi, muitas vezes esses métodos de aproximação deixam a desejar porque as pessoas precisam ver a reação do outro, ter um contato visual e de proximidade.

TIMIDEZ

"Como tudo tem os prós e os contras, as pessoas não deixam de ser tímidas com o uso de aplicativos, elas mascaram a timidez. Por mais que as pessoas consigam se expressar melhor, elas acabam ainda se perdendo quando precisam fazer encontros através do toque", afirma a psicóloga. De acordo com ela, a partir do momento que passa do virtual para o real não se sabe mais se aquele efeito de relaxamento vai continuar.

AUTO ESTIMA

Selfies bonitas e de angulação favorável podem resolver o problema de qualquer match. "As pessoas usam o meio da tecnologia para poder transmitir sua personalidade, além do físico. Não acredito que possa ser uma solução para auto estima porque sempre vai chegar no ponto do encontro particular. Uma hora a insatisfação física vai aparecer". Segundo Joana, o ideal para problemas com a auto estima é a terapia para que dessa forma seja resolvido o problema da insatisfação.

PÓS-TÉRMINO

"A pessoa está no momento de solidão e ela volta a enxergar a vida. Você não cura um amor, uma paixão, entrando em outra de imediato. Mas se for por um caso momentâneo de um carinho e atenção, é válido. Mas é preciso ter isso em mente: as pessoas confundem e acham que esses aplicativos substituem a outra pessoa. É preciso vivenciar um luto de término de relacionamento para que possa embarcar em outro como uma nova pessoa e com novos desafios a serem enfrentados", afirma a psicóloga.

A liquidez das relações afetivas

O sociólogo, Zygmunt Bauman, autor do livro "Modernidade Líquida", afirmava em suas falas a diferença de conceitos entre "redes" e "laços humanos". Esse pensamento pode ser aplicado à pessoas, que, assim como ele, não acreditam na fortificação de laços a partir de aplicativos de paquera.

Zygmunt Bauman - Sobre os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança

Um exemplo é o técnico em química, Wesley Urppy, 24. Ele não concorda com o uso de aplicativos para pessoas que buscam um relacionamento afetivo duradouro. "Pode até ser que um caso ou outro, as pessoas venham a desenvolver algo além de uma pegação ou ficada, mas o principal fato delas inserirem nesses apps, não é esse", opina.

Para ele, o fato de poder conhecer e filtrar interesses em comum é válido. "Mas acho que na prática pode ser totalmente diferente. É ao conhecer, na convivência que se descobre a real intenção daquele pessoa com você", comenta Wesley.

A educadora física e nutricionista, Diana Faller, 33, até tentou dar uma chance para um aplicativo de relacionamento, mas depois de passar 20 pessoas e negar todas, ela desistiu e desinstalou.

"Não uso porque não acho graça definir se tem interesse ou não em uma pessoa apenas pelo perfil. Pode existir uma pessoa que não tem nada a ver com o seu perfil, mas ao conhecer a pessoa ao vivo, vê que ela é incrível... Gosto de olho no olho, de sorrisos, da conversa", comenta Diana.

Alternativas para os apps de paquera

Usuários que querem se privar de aparecer nos aplicativos de namoro, usam também as redes sociais, como o Instagram, para encontrar seus pretendentes. A estudante Camila Caputo, 19, se enquadra nesse perfil. Segundo ela, nessa rede social ela consegue ser mais objetiva. "Não preciso ficar vendo um monte de gente desinteressante, até encontrar a que eu realmente quero", comenta.

A forma de interação nas redes sociais também é mais natural, de acordo com Camila. "Se eu já conhecer a pessoa, respondo os stories e curto as fotos de acordo com o que ela vai postando. E eu também só procuro gente conhecida, que eu já tenha conversado ou pelo menos visto", diz.

Agora é a sua vez: deslize para a esquerda ou para a direita e divida com a gente a sua opinião sobre aplicativos de namoro.

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